regressar a mim.

Somos feitos de histórias. Das que nos contaram antes de sabermos contar. Das que contámos, partilhando, ao longo do tempo. Das que sonhámos.

Mas sobretudo, das que vivemos – aquelas que escrevemos, silenciosamente, em folhas de papel invisíveis e onde somos simultaneamente autores, narradores e protagonistas. É nessas histórias que sabemos o que fomos, como somos e quem nos vamos tornando.

Mas, por vezes, acontece que, na pressa dos dias, as histórias que vivemos se afastam das histórias que sonhámos. É então que pousamos a caneta. Fechamos o caderno. E nos levantamos, convencendo-nos de que não somos nós quem as escreve. (Assim vivemos, fugindo de quem podíamos ser.)

Recomeçar é pegar na caneta. Negociar a incerteza da página em branco com a promessa de uma nova história. Pegar no fio que há-de conduzir o fim ao novo início, pela nossa mão. E devagar, ir devolvendo o nosso cunho ao caderno abandonado, fazendo o luto do passado e arriscando um novo futuro, acreditando que somos tantos quantos criarmos.

Começo hoje a (re)escrever a minha história. Escrevo onde a folha acaba e o sonho começa. Arrisco uma nova página, onde inscrevo o fim de uma história que não acaba, continuando-a: parto hoje. Hoje mesmo. A caminho de mim.


últimos posts

Arquivo