demoratoriamente


Demoradamente sempre foi um dos meus advérbios de modo preferidos. A ideia de prolongar uma demora, de permanecer num gerúndio: demorando, simplesmente, no que quer que se faça. A palavra sugere-me uma lentidão de gestos escassos e lânguidos.

Morar, do latim morare, é etimologicamente parar num lugar, deixar de ser nómada, não ir adiante. Demorar é, assim, deter-se no sítio onde se parou, sem pressa de ir adiante.

Já a moratória, é esse compasso de espera, atribuído por Erik Erikson aos adolescentes, antes que assumam os seus compromissos adultos. É um momento no desenvolvimento que implica não ir adiante, permanecer na própria morada (interior), antes de avançar para um novo estádio.

Desde a última publicação nesta página estive a viver demoratoriamente – ou seja, demorei-me numa moratória em torno de outros projectos que exigiram a quietude da minha atenção.

Estar ausente demoratoriamente implica estar temporariamente distante até que se cresce: quem se demora numa moratória está mais apto a tomar decisões e a agir. A voltar.

A partir de amanhã conjugo na sua plenitude o verbo regressar.


últimos posts

Arquivo